quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Simbologia do 11




A «Dream Team» da Premier League 2012-2013. Os 11 elementos como materialização do utópico. 










   Para muitos, o melhor campeonato de futebol do mundo. A Premier League, como detentora do troféu de liga mais visualizada do mundo, desperta os maiores sentimentos possíveis, aos amantes do desporto rei. E nesta liga rei, deste desporto rei, existem 11 elementos que foram reis. 

   Com 25 jornadas transpostas desde o início da temporada 2012-2013, e ainda com 13 por realizar, a Premier League mostrou mais uma vez o porquê de ser a liga principal mais competitiva do mundo, onde dos últimos até aos primeiros é possível encontrar elementos materializadores da utopicidade do futebol, não só por Terras de Sua Majestade, mas por todo o Mundo. Nesta crónica, cabe-me a mim, a árdua tarefa de escolher os 11 elementos que melhor simbolizam o número 11, associado ao plano de conhecimentos mais elevados, ao ideal. 
   De «habitués» a... revelações, simbologia do número 11. De posse a... transições, simbologia do número 11. De contenção a... excesso, simbologia do número 11. De inconsequência... a perigo, simbologia do número 11. Este 11 é, simbolicamente, o 11 da junção de Deus (1) com o mundo (10).

   
   A posição de guarda-redes, assim como a posição de Deus, é vista como a de quem ordena, como a de quem vê o que os outros não conseguem ver. Joe Hart, guarda-redes do Manchester City, o clube menos batido do campeonato, é o Deus deste 11. Ainda que vista o dorsal 25, o titularíssimo da seleção inglesa e totalista desta edição da Premier League, até ao momento, é um verdadeiro número 1, como Deus, trespassa confiança para todos os seus seguidores. Pela terra ou pelos ares, domina as situações mais adversas sempre com grande tranquilidade.


   No futebol moderno, ser defesa-direito é muito mais complexo e menos limitativo do que um mero cobertor do seu corredor. Branislav Ivanović, central de formação, mas nos últimos anos regularmente experimentado nesta nova posição, deu um enorme salto qualitativo no que aos movimentos ofensivos diz respeito. Mantendo a solidez defensiva, marca caracterizadora, e o forte jogo áereo, Ivanović evoluíu na aproximação a zonas de finalização e nas transições rápidas, valendo-lhe até ao momento, 4 tentos na competição. Suplantando a concorrência feroz de Rafael, Walker, Zabaleta, Sagna, Glen Johnson ou mesmo Àngel Rangel, Branislav merece enquanto revelação ver a sua evolução reconhecida.


   O defesa-central é invariavelmente, um jogador agressivo. Na maioria dos casos, no bom sentido, mas como é sabido, «de boas intenções está o inferno cheio». Vincent Kompany, é exemplo disso. Acusado muitas vezes de excesso de agressividade, já foi por mais que uma vez, expulso erroneamente, talvez pelo facto de haver um excesso de zelo por parte da arbitragem a seu respeito. Ainda assim, e à parte disso, os fãs deste enormíssimo jogador, são imensos, e facilmente se encontram motivos que o expliquem. Dotado de um sentido posicional irrepreensível e com condições físicas a cima da média, o jogador belga é um dos melhores do mundo na sua posição, possuindo além destas, outras características que o fazem diferencias dos demais, como a sua capacidade de liderança.


   Na necessidade de se encontrar um parceiro para Kompany, surge Gary Cahill. Contratado à duas temporadas ao Bolton, o atual jogador do Chelsea e da seleção inglesa, conseguiu na sua segunda época no clube londrino, afirmar-se como um esteio no centro da defesa, sendo ao lado de John Terry, David Luiz ou mesmo Ivanovic. Com menos experiência que o outro central desta «Dream Team» mas com maior «fair-play», é a combinação perfeita para este 11 utópico.


   Como na lateral-direita, a posição de defesa-esquerdo requer cada vez mais uma maior largura do terreno de jogo, através da profundidade dada pelo seu executante. Patrice Evra, aos 31 anos, atingiu o apogeu da sua capacidade ofensiva. Com 4 golos já apontados no campeonato, alguns deles de alto relevo, Evra destaca-se da concorrência de Ashley Cole, Baines, Clichy e Vertonghen.


   A posição de médio-centro, provavelmente como mais nenhuma outra, é de extremo desgaste para um atleta, que tende a perder fulgor, naturalmente, com o passar da idade. Aos 34 anos, Frank Lampard, desmente essa teoria. Com 10 golos em 17 jogos, Lampard continua a mostrar que a experiência é um posto e que ainda não está a pensar «pendurar as botas». Exímio batedor de grandes penalidades e senhor de um potente remate, faz proveito destas características para atingir a bela média de 0.59 golos por jogo, mesmo jogando numa posição mais recuada do terreno. Destacar que é o primeiro médio a constar nesta tabela referente aos goleadores, ocupando a nona posição.


    Ao seu lado, surge provavelmente a maior afirmação da época. Marouane Fellaini, na quinta época ao serviço do Everton, aparece mais fortalecido do que nunca. Aproveitando o seu forte jogo aéreo, fruto da sua enorme estatura (1.94), Fellaini tem marcado e dado a marcar uma quantidade enorme de golos a um dos clubes dos Beatles. Igualmente com um elevado recorte técnico e sentido tático, o belga já apontou 10 golos neste campeonato em 20 participações, aparecendo como o segundo médio da lista dos melhores marcadores, logo atrás de Lampard.


   Nas alas, dois jogadores velocíssimos. Como extremo-esquerdo emerge um dos jogadores do momento, Gareth Bale! Com apenas 23 anos de idade, é impressionante como o ex-lateral-esquerdo assume neste momento tanta preponderância no seu clube, Tottenham. Para além da velocidade já referida, Bale tem características físicas demasiado fortes para um extremo, que lhe permitem aliar velocidade a «choque». Com uma cláusula de rescisão  de 65 milhões de euros, e com a tendência de encarecimento do futebol moderno, o galês será um elemento difícil de segurar por parte dos Spurs. Os 11 tentos já apontados em 21 jogos são uma ótima montra.


   Também com 11 golos marcados em 21 jogos, aparece o extremo-direito desta equipa de sonhos. Theo Walcott, é dos extremos mais rápidos do futebol mundial e sabe como ninguém tirar lucros dessa situação. Com uma capacidade física mais debilitada que Bale, Walcott vê-se por vezes um pouco afastado do jogo por não conseguir dividir duelos. No entanto, sempre que embalado de trás é imparável para qualquer defesa do mundo, tendo vindo a melhorar também a sua capacidade finalizadora ao longo dos anos, como comprovam os números. Com os mesmos 23 anos de Bale, Theo tem ainda muito potencial para ser trabalhado. 


   O ponta-de-lança, o homem que joga mais adiantado numa equipa, aquele cujos golos são a história. De facto, quando se avalia a qualidade de um determinado avançado, o número de golos é o primeiro fator a se ter em conta pelo comum do adepto. Luis Suárez, consegue uma simbiose perfeita entre os golos, e o jogo coletivo, com e sem bola. Exímio a cair nos flancos, a recuar para sair em transições rápidas, ou mesmo a movimentar-se dentro da área, Suárez tem tudo o que um ponta-de-lança precisa, na busca do golo. A sua naturalidade uruguaia vem frequentemente ao de cima, pelas simulações constantes e os comportamentos intempestivos que são muitas vezes alvo de crítica e que já valeram ao avançado sanções severas. No entanto, nem isso consegue minimizar a sua classe enquanto executante, que esta época já rendeu 17 golos em 24 jogos, valendo-lhe o segundo posto na lista dos melhores marcadores da Premier League, até ao momento.

   A fazer-lhe companhia... quem mais? Robin van Persie! A transferência mais polémica da EPL temporada 2012-2013, mudança do Arsenal para o rival Manchester United, veio a revelar-se também de maior sucesso. Van Persie, que até é o número 20, fica-se pela metade. É o 10º jogador «de campo» desta simbologia do 11... é o mundo, a junção a Deus, no extremo oposto de Joe Hart, é o expoente máximo da English Premier League, nesta temporada. Com 25 jogos realizados na liga, a totalidade dos disputados pelo seu clube, van Persie leva já 18 tentos, sendo o melhor marcador do campeonato e um dos melhores em todo o mundo, rivalizando com jogadores como Messi, Ronaldo e Falcao. Aos 29 anos pode começar finalmente a enriquecer o seu palmarés, ainda escasso. Semelhante com Suárez no que diz respeito às suas movimentações de procurar jogo nos flancos, o holandês tem um dos melhores pé esquerdos do planeta, com um remate imparável. Fecha com «chave de ouro» a «Dream Team» da liga mais antiga do mundo.

   O 11. Um número que simboliza o ideal, e se materializou nesta Equipa de Sonhos.

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