Dois modelos idealmente distintos, porém objetivamente semelhantes. A «procura» do golo, por diferentes trajetos.
Com o passar dos anos, o futebol tende cada vez mais a deixar de ser apenas glorificado por quem possui um dom natural para o praticar, mas igualmente por quem às suas metodologias se dedica, mesmo que não goze de nascença esse mesmo talento.
Como tal, torna-se de extrema importância no futebol moderno, o papel desempenhado pelos treinadores, tanto através da forma como dispõem os jogadores em campo, quanto do estilo de jogo pelo qual fazem a equipa reger-se. Nesta crónica, irei focar-me nesta segunda alínea, distinguindo e apreciando o Futebol Apoiado do Futebol Direto.
Começando pelo Futebol Apoiado, é um estilo de jogo que valoriza como nenhum outro a posse de bola e a mobilidade dos jogadores no terreno de jogo. Carateriza-se pela sua intensidade e pela constante procura de criar várias linhas de passe de modo a que o portador da bola tenha muitas opções a quem endereçar a bola, fazendo assim com que os seus oponentes se desgastem na procura da mesma. Para que isso seja possível é fulcral que a equipa que o pretende fazer, tenha um elevado número de jogadores dotados tecnicamente, de forma a se trocar a bola em passes curtos e no máximo em dois ou três toques e que se extenda de forma curta no terreno para conseguir ter superioridade numérica no espaço onde se disputa a bola. É igualmente importante que os seus jogadores sejam objetivos na constante procura de ocasiões de golo, não deixando de visar a baliza sempre que possível! Este estilo de jogo é normalmente designado de Tiki-Taka e associado ao FC Barcelona de Pep Guardiola, ex-técnico do clube. Com ele, Marol conquistou 14 títulos oficiais (3 Campeonatos de Espanha, 2 Copa do Rei, 3 Supertaças de Espanha, 2 Ligas dos Campeões, 2 Supertaças Europeias e 2 Taças do Mundo de Clubes da FIFA) em apenas 4 temporadas e conseguiu um brilhante registo nos seus 212 jogos oficiais (154v-40e-18d).
Por sua vez, o Futebol Direto é um estilo de jogo que valoriza a combatividade dos jogadores, a larga extensão dos atletas no terreno de jogo e a sua linha avançada. Igualmente intenso e energético (à semelhança do Futebol Apoiado), apresenta no entanto diversas diferenças, quanto à forma como imprime essa mesma intensidade. Deixando o adversário tomar as rédeas do jogo e pressionar alto, as equipas que adoptam este estilo, procuram fazer esticar a distância entre a defesa e o meio-campo do adversário e, por outro lado, aproveitar esse espaço criado entre o meio-campo e a defesa ou mesmo entre a defesa e a baliza, que as equipas adversárias acabam por conceder. Conhecida como uma estratégia de jogo britânica e pela expressão “kick and rush”, este estilo fez escola um pouco por todo o mundo, nos primórdios do futebol. Uma estratégia deste tipo requer um meio-campo combativo e com excelente capacidade de passe longo para os avançados. Normalmente, a linha de avançados é constituída por dois, formando uma dupla. Dentro dessa dupla, não é menos usual verificar um avançado de maior envergadura, habituado a um estilo de jogo mais físico e que consiga ganhar superioridade aérea. Este é complementado por um outro avançado (ou um ala ou meio-campista, caso a linha avançada seja formada por apenas um avançado centro), que aproveita os duelos aéreos do ponta-de-lança, tentando combinar com este e manter objectividade na baliza adversária. O Celtic de Neil Lennon é um pouco a amostra deste estilo futebolístico, sobretudo com a dupla Georgios Samaras e Gary Hooper. Mas, não é só nas ilhas britânicas que vemos esse estilo de jogo implementado. Por exemplo, o AC Milan de Allegri, jogou muitas vezes desta maneira, muito por causa de um excelente ponta-de-lança, chamado Ibrahimovic, que funcionava como um pivot ofensivo para os seus companheiros de ataque. Notar que o meio-campo do Milan 2011/2012, era invariavelmente composto por três homens de cariz combativo, deixando o ataque para o Ibra-ca-da-bra e outros dois elementos. Em suma, há necessidade de ter jogadores combativos e atléticos, tanto a meio-campo como no ataque, que consigam ganhar duelos aéreos e que saibam proteger, temporizar e combinar com os colegas.
Posto isto, a pergunta que se impõe será: Qual destes estilos de jogo será o melhor método para levar uma equipa ao sucesso?
Na minha ótica, ambos são passíveis de o fazer com a mesma eficácia, a diferença está na equipa em que usa qualquer uma destas duas estratégias, dos jogadores que a compõe, ou seja, das caraterísticas que os atletas possuem, que podem enquadrar-se mais num ou noutro estilo de jogo. Prova disso é o sucesso recente de ambos, patente através da conquista de Ligas dos Campeões que tanto um estilo como o outro conseguiu, o primeiro através do FC Barcelona e o segundo pelo Manchester United FC e mais recentemente pelo Chelsea FC.
Em suma, tanto o Futebol Apoiado como o Futebol Direto, são duas estratégias destinadas ao sucesso, se bem aplicadas, e irão continuar a levar adeptos aos estádios e “colar” outros tantos à televisão tanto pela sua arte e classe como pela sua entrega e combatividade!



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