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domingo, 26 de janeiro de 2014

Ludopédio Juvenil




Beira-Mar mais líder!

Sport Clube Beira-Mar e Grupo Desportivo da Gafanha encontraram-se esta manhã, em jogo a contar para a 1ª jornada da Fase de Manutenção Série D, do Campeonato Nacional de Iniciados, tendo a vitória sorrido para os visitados por duas bolas a zero.

Num dia com ótimas condições climatéricas para a prática do desporto rei em Portugal, duas equipas da Associação de Futebol de Aveiro, separadas por apenas quatro pontos (recorde-se que a pontuação transita da fase anterior), subiram ao relvado do Campo José Oliveira Santos em Frossos – Albergaria-a-Velha, casa emprestada dos auri-negros.
            
         Como era expectável, por opor dois candidatos ao título, o jogo iniciou-se num ritmo intenso, embora nem sempre bem jogado, predominando a disputa física pela bola a meio-campo, apesar da tentativa insistente de ambos os técnicos para que as suas equipas tentassem controlar o ritmo do jogo. Neste capítulo particular, assim como em todo o jogo, Varela do GDG mostrou ser o jogador mais inconformado e aquele que mais tentou desmontar a defensiva beiramarense.

                                      

Foi, no entanto, o Beira-Mar que chegou ao golo, à passagem do minuto 15, após uma falha defensiva da equipa adversária, bem aproveitada para inaugurar o marcador, num jogo em que as oportunidades de golo eram até ao momento, e viriam a revelar-se até ao final do jogo, escassas.
            
         O jogo aqueceu e a expulsão do treinador principal e do treinador-adjunto do Sport Clube Beira-Mar, por protestos contra a equipa de arbitragem, chefiada por Nuno Vaz da AF Viseu, veio trazer maior emoção a um jogo que estava a ser calculista em demasia para prol do espetáculo.
           
      Quando ambas as equipas já se preparavam para recolher aos balneários, apareceu Vladislav Kuznetsov, jogador de origem russa, que já havia estado ligado ao primeiro golo da equipa auri-negra e que viria desta feita a aumentar o resultado, e fechá-lo, em duas bolas a zero. 35 minutos de encher o olho, por parte deste jovem, que encostado à extrema direita demonstrou ter uma visão de jogo periférica e saber ler movimentos diagonais dos seus colegas de equipa e respeitá-los, através de um último passe mortífero. O golo serviu apenas para coroar a excelente exibição do jovem que envergou a camisola 16.

                                     
            
        O resultado não podia agradar aos forasteiros, que à saída dos balneários fizeram entrar Manuel Soares, numa clara mensagem para a sua equipa e para os adversários, que procurariam inverter o rumo dos acontecimentos. No entanto, e apesar dos esforços levados a cabo pela equipa técnica do Gafanha em mudar o rumo dos acontecimentos, nem a entrada positiva do número 10 foi o suficiente para inverter o jogo, numa 2ª parte onde também escassearam as oportunidades de golo.

                                   
            
         Finalizado o encontro, o Beira-Mar reforçou a 1ª posição, partindo para as 9 jornadas que faltam realizar, com 7 pontos de avanço sobre o Grupo Desportivo da Gafanha, que deu no entanto nota da sua persistência em lutar pelo título, que embora mais difícil, numa altura em que faltam disputar 27 pontos, continua matematicamente ao alcance da equipa às ordens de Ricardo Maia.

                                   
           
         Para além de Varela do GDG e Vladislav do SCBM, outros dois jogadores ficaram referenciados pela sua boa prestação neste encontro: Do lado dos visitantes, Miguel Pinto mostrou-se intransponível na permeável defesa do Gafanha, usando a sua capacidade física para se impor nas alturas e mostrando-se tecnicamente evoluído para um defesa-central; Pelos visitados, Rui Santos coordenou o jogo a meio-campo da sua equipa, recuperando inúmeras bolas, e protegendo a posse, revelando-se um médio inteligentíssimo e completo.
        
         Na próxima jornada, o líder Sport Clube Beira-Mar desloca-se ao terreno do AD Estação, enquanto que o vice-líder Grupo Desportivo da Gafanha recebe o lanterna vermelha do campeonato, o Fundão.
                               














quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Simbologia do 11




A «Dream Team» da Premier League 2012-2013. Os 11 elementos como materialização do utópico. 










   Para muitos, o melhor campeonato de futebol do mundo. A Premier League, como detentora do troféu de liga mais visualizada do mundo, desperta os maiores sentimentos possíveis, aos amantes do desporto rei. E nesta liga rei, deste desporto rei, existem 11 elementos que foram reis. 

   Com 25 jornadas transpostas desde o início da temporada 2012-2013, e ainda com 13 por realizar, a Premier League mostrou mais uma vez o porquê de ser a liga principal mais competitiva do mundo, onde dos últimos até aos primeiros é possível encontrar elementos materializadores da utopicidade do futebol, não só por Terras de Sua Majestade, mas por todo o Mundo. Nesta crónica, cabe-me a mim, a árdua tarefa de escolher os 11 elementos que melhor simbolizam o número 11, associado ao plano de conhecimentos mais elevados, ao ideal. 
   De «habitués» a... revelações, simbologia do número 11. De posse a... transições, simbologia do número 11. De contenção a... excesso, simbologia do número 11. De inconsequência... a perigo, simbologia do número 11. Este 11 é, simbolicamente, o 11 da junção de Deus (1) com o mundo (10).

   
   A posição de guarda-redes, assim como a posição de Deus, é vista como a de quem ordena, como a de quem vê o que os outros não conseguem ver. Joe Hart, guarda-redes do Manchester City, o clube menos batido do campeonato, é o Deus deste 11. Ainda que vista o dorsal 25, o titularíssimo da seleção inglesa e totalista desta edição da Premier League, até ao momento, é um verdadeiro número 1, como Deus, trespassa confiança para todos os seus seguidores. Pela terra ou pelos ares, domina as situações mais adversas sempre com grande tranquilidade.


   No futebol moderno, ser defesa-direito é muito mais complexo e menos limitativo do que um mero cobertor do seu corredor. Branislav Ivanović, central de formação, mas nos últimos anos regularmente experimentado nesta nova posição, deu um enorme salto qualitativo no que aos movimentos ofensivos diz respeito. Mantendo a solidez defensiva, marca caracterizadora, e o forte jogo áereo, Ivanović evoluíu na aproximação a zonas de finalização e nas transições rápidas, valendo-lhe até ao momento, 4 tentos na competição. Suplantando a concorrência feroz de Rafael, Walker, Zabaleta, Sagna, Glen Johnson ou mesmo Àngel Rangel, Branislav merece enquanto revelação ver a sua evolução reconhecida.


   O defesa-central é invariavelmente, um jogador agressivo. Na maioria dos casos, no bom sentido, mas como é sabido, «de boas intenções está o inferno cheio». Vincent Kompany, é exemplo disso. Acusado muitas vezes de excesso de agressividade, já foi por mais que uma vez, expulso erroneamente, talvez pelo facto de haver um excesso de zelo por parte da arbitragem a seu respeito. Ainda assim, e à parte disso, os fãs deste enormíssimo jogador, são imensos, e facilmente se encontram motivos que o expliquem. Dotado de um sentido posicional irrepreensível e com condições físicas a cima da média, o jogador belga é um dos melhores do mundo na sua posição, possuindo além destas, outras características que o fazem diferencias dos demais, como a sua capacidade de liderança.


   Na necessidade de se encontrar um parceiro para Kompany, surge Gary Cahill. Contratado à duas temporadas ao Bolton, o atual jogador do Chelsea e da seleção inglesa, conseguiu na sua segunda época no clube londrino, afirmar-se como um esteio no centro da defesa, sendo ao lado de John Terry, David Luiz ou mesmo Ivanovic. Com menos experiência que o outro central desta «Dream Team» mas com maior «fair-play», é a combinação perfeita para este 11 utópico.


   Como na lateral-direita, a posição de defesa-esquerdo requer cada vez mais uma maior largura do terreno de jogo, através da profundidade dada pelo seu executante. Patrice Evra, aos 31 anos, atingiu o apogeu da sua capacidade ofensiva. Com 4 golos já apontados no campeonato, alguns deles de alto relevo, Evra destaca-se da concorrência de Ashley Cole, Baines, Clichy e Vertonghen.


   A posição de médio-centro, provavelmente como mais nenhuma outra, é de extremo desgaste para um atleta, que tende a perder fulgor, naturalmente, com o passar da idade. Aos 34 anos, Frank Lampard, desmente essa teoria. Com 10 golos em 17 jogos, Lampard continua a mostrar que a experiência é um posto e que ainda não está a pensar «pendurar as botas». Exímio batedor de grandes penalidades e senhor de um potente remate, faz proveito destas características para atingir a bela média de 0.59 golos por jogo, mesmo jogando numa posição mais recuada do terreno. Destacar que é o primeiro médio a constar nesta tabela referente aos goleadores, ocupando a nona posição.


    Ao seu lado, surge provavelmente a maior afirmação da época. Marouane Fellaini, na quinta época ao serviço do Everton, aparece mais fortalecido do que nunca. Aproveitando o seu forte jogo aéreo, fruto da sua enorme estatura (1.94), Fellaini tem marcado e dado a marcar uma quantidade enorme de golos a um dos clubes dos Beatles. Igualmente com um elevado recorte técnico e sentido tático, o belga já apontou 10 golos neste campeonato em 20 participações, aparecendo como o segundo médio da lista dos melhores marcadores, logo atrás de Lampard.


   Nas alas, dois jogadores velocíssimos. Como extremo-esquerdo emerge um dos jogadores do momento, Gareth Bale! Com apenas 23 anos de idade, é impressionante como o ex-lateral-esquerdo assume neste momento tanta preponderância no seu clube, Tottenham. Para além da velocidade já referida, Bale tem características físicas demasiado fortes para um extremo, que lhe permitem aliar velocidade a «choque». Com uma cláusula de rescisão  de 65 milhões de euros, e com a tendência de encarecimento do futebol moderno, o galês será um elemento difícil de segurar por parte dos Spurs. Os 11 tentos já apontados em 21 jogos são uma ótima montra.


   Também com 11 golos marcados em 21 jogos, aparece o extremo-direito desta equipa de sonhos. Theo Walcott, é dos extremos mais rápidos do futebol mundial e sabe como ninguém tirar lucros dessa situação. Com uma capacidade física mais debilitada que Bale, Walcott vê-se por vezes um pouco afastado do jogo por não conseguir dividir duelos. No entanto, sempre que embalado de trás é imparável para qualquer defesa do mundo, tendo vindo a melhorar também a sua capacidade finalizadora ao longo dos anos, como comprovam os números. Com os mesmos 23 anos de Bale, Theo tem ainda muito potencial para ser trabalhado. 


   O ponta-de-lança, o homem que joga mais adiantado numa equipa, aquele cujos golos são a história. De facto, quando se avalia a qualidade de um determinado avançado, o número de golos é o primeiro fator a se ter em conta pelo comum do adepto. Luis Suárez, consegue uma simbiose perfeita entre os golos, e o jogo coletivo, com e sem bola. Exímio a cair nos flancos, a recuar para sair em transições rápidas, ou mesmo a movimentar-se dentro da área, Suárez tem tudo o que um ponta-de-lança precisa, na busca do golo. A sua naturalidade uruguaia vem frequentemente ao de cima, pelas simulações constantes e os comportamentos intempestivos que são muitas vezes alvo de crítica e que já valeram ao avançado sanções severas. No entanto, nem isso consegue minimizar a sua classe enquanto executante, que esta época já rendeu 17 golos em 24 jogos, valendo-lhe o segundo posto na lista dos melhores marcadores da Premier League, até ao momento.

   A fazer-lhe companhia... quem mais? Robin van Persie! A transferência mais polémica da EPL temporada 2012-2013, mudança do Arsenal para o rival Manchester United, veio a revelar-se também de maior sucesso. Van Persie, que até é o número 20, fica-se pela metade. É o 10º jogador «de campo» desta simbologia do 11... é o mundo, a junção a Deus, no extremo oposto de Joe Hart, é o expoente máximo da English Premier League, nesta temporada. Com 25 jogos realizados na liga, a totalidade dos disputados pelo seu clube, van Persie leva já 18 tentos, sendo o melhor marcador do campeonato e um dos melhores em todo o mundo, rivalizando com jogadores como Messi, Ronaldo e Falcao. Aos 29 anos pode começar finalmente a enriquecer o seu palmarés, ainda escasso. Semelhante com Suárez no que diz respeito às suas movimentações de procurar jogo nos flancos, o holandês tem um dos melhores pé esquerdos do planeta, com um remate imparável. Fecha com «chave de ouro» a «Dream Team» da liga mais antiga do mundo.

   O 11. Um número que simboliza o ideal, e se materializou nesta Equipa de Sonhos.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Catalisador de Talentos

A importância das equipas B. Uma plataforma modesta, rumo aos palcos internacionais. 













   A falta de recursos humanos para a Seleção Portuguesa de Futebol é uma adversidade há muito escalpelizada pelas forças desportivas nacionais. Na iminência de alterar o futuro, dando mais opções aos próximos selecionadores portugueses, surgem as equipas B, que irão ser analisadas nesta crónica.


      Quando se ouviu falar do retorno das equipas B muitas foram as «vozes» discordantes possíveis de escutar. Iriam prejudicar a segunda liga (única competição em que iriam estar inseridas), iriam «roubar» receitas televisivas aos demais clubes, iriam adulterar a classificação (devido à sucessiva mudança dos seus planteis), em suma, iriam enfraquecer o segundo escalão do futebol português. Pouco meses volvidos, a opinião da generalidade dos adeptos alterou-se. Existem hoje mais adeptos a acompanhar a liga, a competitividade mantém-se, e começa a assistir-se à evolução de jovens jogadores portugueses em bruto.




    O Futebol Clube do Porto é dos três denominados grandes, aquele que menos aposta nos jogadores portugueses na sua equipa B, tendo como figuras de cartaz jogadores de outras nacionalidades. Tiago Ferreira e Sérgio Oliveira são dois jogadores com potencial para ser trabalhado, no entanto é outra a figura promissora azul e branca.

   Tozé é um médio-ofensivo que gosta e sabe ter a bola no pé. Formado entre o Padroense e o FC Porto, o jovem de 20 anos já apontou 5 golos na segunda liga pelos Dragões, o que lhe valeu já por mais que uma vez a confiança de Vitor Pereira e a chamada à equipa A, podendo inclusive sentar-se nos bancos do Estádio da Luz. 


   O Sport Lisboa e Benfica é acusado sistematicamente de não apostar no produto nacional. No entanto, a sua equipa B é uma prova que os dirigentes encarnados pretendem alterar isso mesmo. Inúmeros são os portugueses de qualidade que a sua equipa apresenta, como é o caso de Mika, João Cancelo, Fábio Cardoso ou Ivan Cavaleiro. Junte-se a estes, as mais recentes aquisições de Diogo Rosado (ex-Blackburn) e Rui Fonte (ex-Espanhol). Porém, existem outros diamantes em bruto que merecem um maior destaque.

   Miguel Rosa é a nova coqueluche do futebol encarnado! Apesar de ainda estar na equipa B, não se perspetiva um período de tempo duradouro até chegar à equipa principal. O capitão do Benfica B não é tão jovem como os companheiros, é certo... no entanto, com 24 anos ainda tem tempo para se afirmar no futebol português ao mais alto nível. Formado desde muito cedo no Benfica e com passagens por empréstimo por Estoril, Carregado e Belenenses, o médio-ofensivo vermelho e branco tornou-se icone por todos os clubes em que passou, parecendo só faltar mesmo a tão aclamada experiência na primeira liga. Miguel Rosa é esta época, até ao momento, o 3º melhor marcador da Liga Orangina e tem catapultado o Benfica B para inúmeros triunfos, através dos seus golos e assistências de belo efeito. Dono de um excelente remate, Miguel Rosa foi eleito melhor jogador dos meses de Agosto, Setembro, Outubro, Novembro e Janeiro, deixando apenas fugir o prémio do mês de Dezembro para Rabiola, mas ainda assim, ocupando o 2º posto.

   André Gomes, é outro dos meninos de ouro da Luz. Médio-centro por excelência, com maiores qualidades ofensivas, o jovem de 19 anos formado entre FC Porto e Boavista, tem na visão de jogo um dos seus maiores atributos, par-a-par com a qualidade com que protege e conduz a bola no miolo do terreno. Despontou na equipa B e de imediato foi chamado à equipa principal, sendo agora um dos elementos da equipa A mesmo que por vezes possa visitar os seus ex-colegas na seguda liga. O golo ao Gil Vicente foi um bom mote para segurar o seu lugar junto dos pupilos de Jorge Jesus, mas foi em Camp Nou frente ao FC Barcelona para a Champions League, que o médio mais impressionou, mostrando que tem qualidade para vir a ser um dos grandes médios do futebol português. Uma lesão de Ruben Micael, valeu-lhe por fim a convocatória à Seleção A de Portugal.

   André Almeida, é outro dos jogadores catapultado pelo Benfica B para a equipa principal do clube. Opção de recurso a Maxi Pereira ou Matic, o jovem de 22 anos pode atuar a lateral direito, médio defensivo ou mesmo a médio ala, solução já utilizada pelo técnico encarnado para «trancar» jogos, como aconteceu na «pedreira», em Braga. Iniciando a sua formação no Sporting CP e passando por Alverca e Belenenses, o jovem teve ainda uma experiência por empréstimo no União de Leiria, antes de se afirmar na equipa B encarnada e ser promovido. É visto como uma das maiores promessas encarnadas, pela sua solidariedade e polivalência em campo.


   O Sporting Clube de Portugal, é conhecido por ser o clube português que mais aposta em jovens portugueses. Com uma academia só comparada à do histórico holandês Ajax, os leões continuam a produzir talentos a cada ano que passa. Zezinho, João Mário e Betinho são alguns dos jogadores mais promissores do clube, mas há outros dois jovens talentos que têm todos os focos a incidir na sua direção.

   Ricardo Esgaio é um extremo-direito como o Sporting já nos habituou a formar. Do alto do seu 1 metro e 71, Esgaio já apontou 12 golos nesta segunda liga, estando de «mão dada» a Miguel Rosa neste capítulo. Desiquilibrador mas com um toque de inteligência a ocupar zonas mais interiores do terreno, que por vezes falta aos extremos modernos. A sua capacidade de fechar o corredor em conjunto com o lateral, não está alheia ao facto de também ocupar a lateral direita da defesa quando necessário. Aos 19 anos de idade, Ricardo Esgaio já mereceu minutos pela equipa A e perspetiva-se vir a ser mais um dos jogadores vindos da academia que renderá milhões ao Sporting numa futura transferência.

   Bruma é na minha opinião dos maiores talentos do futebol português e estranha-se que ainda não tenha tido oportunidades esta época de representar a equipa A do Sporting. Apesar de ter atingido apenas agora a maioridade, Bruma já apontou 9 golos pela equipa B dos leões e tem uma cláusula fixada em 30 milhões de euros. A sua capacidade de explosão/aceleração, a sua velocidade, e o seu drible estonteante são características que mostram que pode vir a ser um fora-de-série, um pouco à imagem do que é Nani, jogador com um percurso semelhante. Espera-se por isso que em breve, Bruma comece a aparecer nos grandes palcos do nosso futebol e quem sabe... do futebol internacional.


      Como não há regra sem exceção, aparece o Sporting Clube de Braga B. Os minhotos são conhecidos por apostar em quantidade e qualidade nos jogadores portugueses na sua equipa A, no entanto o mesmo não se passa na equipa B, estratégia que deverá ser repensada por parte dos dirigentes bracarenses.

   O Vitória SC tem vindo cada vez mais a apostar nos jovens jogadores portugueses. Atravessando uma situação financeira extremamente complicado, os vitorianos têm apostado no produto formado em território nacional para conseguirem continuar a competir ao mais alto nível e essa estratégia tem dado resultados. Por essa mesma situação desfavorável, o Vitória viu-se obrigado a chamar esses jogadores mais promissores à equipa A, ficando assim os «B's» desfalcados. Entre todos eles, há um que se destaca!

   Ricardo é de momento um dos jovens jogadores portugueses mais cobiçados. Formado no Sporting CP mas acabando o seu processo de formação no Vitória SC, Ricardo notabilizou-se no campeonato de júniores antes de dar o salto para a equipa principal. Aos 19 anos tem pretendentes tanto cá dentro, como a nível internacional e promete vir a tornar-se um jogador de qualidade. Explosivo e com uma grande capacidade finalizadora, tem sido uma das referências deste jovem plantel do Vitória.

   Por fim, o CS Marítimo tem a particularidade de ser a única equipa B que já estava em atividadade quando as demais reapareceram. É a maior prova de como um trabalho planeado poderá dar resultados a médio prazo. Olhando para a atual equipa principal do Marítimo podemos encontrar inúmeros jogadores que tiveram na equipa B do clube o último passo para a sua evolução como jogador e respetiva a afirmação. Ricardo Ferreira é um desses exemplos recentes, mas é em Sami que o valor desta segunda equipa maritimista mais se faz notar.

   O guineense com nacionalidade portuguesa é um dos espelhos da formação do Marítimo. Um dos extremos com mais valor do nosso campeonato  e ainda com 24 anos continua à espera da sua oportunidade para dar o salto para uma equipa de maior valia e que lhe permita lutar por outros objetivos.

   O tempo tem dado razão à aparição das equipas B, que se têm revelado um «Catalisador de Talentos» que poderão vir a passar dos modestos estádios do nosso futebol para os grandes palcos internacionais pelo mundo fora. É esta plataforma modesta que pode mudar o percurso de um jogador, e dar minutos e confiança para encarar desafios maiores.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Futebol Apoiado vs Futebol Direto

Dois modelos idealmente distintos, porém objetivamente semelhantes. A «procura» do golo, por diferentes trajetos.












   Com o passar dos anos, o futebol tende cada vez mais a deixar de ser apenas glorificado por quem possui um dom natural para o praticar, mas igualmente por quem às suas metodologias se dedica, mesmo que não goze de nascença esse mesmo talento. 
   Como tal, torna-se de extrema importância no futebol moderno, o papel desempenhado pelos treinadores, tanto através da forma como dispõem os jogadores em campo, quanto do estilo de jogo pelo qual fazem a equipa reger-se. Nesta crónica, irei focar-me nesta segunda alínea, distinguindo e apreciando o Futebol Apoiado do Futebol Direto.


   


   Começando pelo Futebol Apoiado, é um estilo de jogo que valoriza como nenhum outro a posse de bola e a mobilidade dos jogadores no terreno de jogo. Carateriza-se pela sua intensidade e pela constante procura de criar várias linhas de passe de modo a que o portador da bola tenha muitas opções a quem endereçar a bola, fazendo assim com que os seus oponentes se desgastem na procura da mesma. Para que isso seja possível é fulcral que a equipa que o pretende fazer, tenha um elevado número de jogadores dotados tecnicamente, de forma a se trocar a bola em passes curtos e no máximo em dois ou três toques e que se extenda de forma curta no terreno para conseguir ter superioridade numérica no espaço onde se disputa a bola. É igualmente importante que os seus jogadores sejam objetivos na constante procura de ocasiões de golo, não deixando de visar a baliza sempre que possível! Este estilo de jogo é normalmente designado de Tiki-Taka e associado ao FC Barcelona de Pep Guardiola, ex-técnico do clube. Com ele, Marol conquistou 14 títulos oficiais (3 Campeonatos de Espanha, 2 Copa do Rei, 3 Supertaças de Espanha, 2 Ligas dos Campeões, 2 Supertaças Europeias e 2 Taças do Mundo de Clubes da FIFA) em apenas 4 temporadas e conseguiu um brilhante registo nos seus 212 jogos oficiais (154v-40e-18d).




   Por sua vez, o Futebol Direto é um estilo de jogo que valoriza a combatividade dos jogadores, a larga extensão dos atletas no terreno de jogo e a sua linha avançada. Igualmente intenso e energético (à semelhança do Futebol Apoiado), apresenta no entanto diversas diferenças, quanto à forma como imprime essa mesma intensidade. Deixando o adversário tomar as rédeas do jogo e pressionar alto, as equipas que adoptam este estilo, procuram fazer esticar a distância entre a defesa e o meio-campo do adversário e, por outro lado, aproveitar esse espaço criado entre o meio-campo e a defesa ou mesmo entre a defesa e a baliza, que as equipas adversárias acabam por conceder. Conhecida como uma estratégia de jogo britânica e pela expressão “kick and rush”, este estilo fez escola um pouco por todo o mundo, nos primórdios do futebol. Uma estratégia deste tipo requer um meio-campo combativo e com excelente capacidade de passe longo para os avançados. Normalmente, a linha de avançados é constituída por dois, formando uma dupla. Dentro dessa dupla, não é menos usual verificar um avançado de maior envergadura, habituado a um estilo de jogo mais físico e que consiga ganhar superioridade aérea. Este é complementado por um outro avançado (ou um ala ou meio-campista, caso a linha avançada seja formada por apenas um avançado centro), que aproveita os duelos aéreos do ponta-de-lança, tentando combinar com este e manter objectividade na baliza adversária. O Celtic de Neil Lennon é um pouco a amostra deste estilo futebolístico, sobretudo com a dupla Georgios Samaras e Gary Hooper. Mas, não é só nas ilhas britânicas que vemos esse estilo de jogo implementado. Por exemplo, o AC Milan de Allegri, jogou muitas vezes desta maneira, muito por causa de um excelente ponta-de-lança, chamado Ibrahimovic, que funcionava como um pivot ofensivo para os seus companheiros de ataque. Notar que o meio-campo do Milan 2011/2012, era invariavelmente composto por três homens de cariz combativo, deixando o ataque para o Ibra-ca-da-bra e outros dois elementos. Em suma, há necessidade de ter jogadores combativos e atléticos, tanto a meio-campo como no ataque, que consigam ganhar duelos aéreos e que saibam proteger, temporizar e combinar com os colegas.
   


   Posto isto, a pergunta que se impõe será: Qual destes estilos de jogo será o melhor método para levar uma equipa ao sucesso?
   Na minha ótica, ambos são passíveis de o fazer com a mesma eficácia, a diferença está na equipa em que usa qualquer uma destas duas estratégias, dos jogadores que a compõe, ou seja, das caraterísticas que os atletas possuem, que podem enquadrar-se mais num ou noutro estilo de jogo. Prova disso é o sucesso recente de ambos, patente através da conquista de Ligas dos Campeões que tanto um estilo como o outro conseguiu, o primeiro através do FC Barcelona e o segundo pelo Manchester United FC e mais recentemente pelo Chelsea FC.
   Em suma, tanto o Futebol Apoiado como o Futebol Direto, são duas estratégias destinadas ao sucesso, se bem aplicadas, e irão continuar a levar adeptos aos estádios e “colar” outros tantos à televisão tanto pela sua arte e classe como pela sua entrega e combatividade!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

«Portugal dos Pequenitos»


Os talentos «ocultos» da Liga ZON Sagres 2012/2013. A visão para além das «fachadas» do nosso futebol.






   
   Não é novidade para ninguém que em Portugal existe um fosso abismal entre clubes denominados grandes e clubes designados pequenos. Para mal dos nossos pecados, não é só no futebol que estas assimetrias se verificam, porém isso são contas de um outro rosário, como tal, o foco desta crónica incidirá para as primeiras desigualdades referidas. 

   Benfica, Porto e Sporting, estas são as nossas «fachadas», os únicos clubes que merecem atenção pelo comum do adepto e maior visibilidade pela comunicação social. Este é o nosso futebol desde sempre. Portugal é futebolísticamente um país sem grande história a nível interno, onde três potências discutem entre si o estatuto de superpotência, de forma cíclica. Braga, Vitória SC, Belenenses, Académica, Boavista, já tentaram aproximar-se delas, mas sem sucesso, tanto pela falta de títulos, como de massa associativa. No entanto, estará assim esta segunda linha tão desprovida de talento? Se analisarmos com maior detalhe estas equipas mais modestas, encontraremos muita qualidade pronto a ser exponenciada. 



   Iniciando a nossa viagem pelo «Portugal dos Pequenitos», encontramos desde logo, no atual último classificado do campeonato (com 14 jornadas realizadas), o Moreirense, um grande talento de seu nome Nabil Ghilas. Nascido em Marselha, na França, Ghilas rumou a Portugal em 2010/2011 para representar o Vizela, transferindo-se uma época mais tarde para o clube que atualmente representa. Irmão de Kamel Ghilas, que representou o Vitória SC de 2006 a 2008, Nabil é um dos melhores pontas-de-lança atuais a jogar no futebol português, contando já com 7 tentos com destino ao fundo das redes em apenas 14 jogos, o que dá uma média significativa de 0.5 golos por jogo. Referir ainda que com 50% dos golos da sua equipa, Ghilas é atualmente o 7º jogador em toda a Europa com maior percentagem de golos na equipa. A sua qualidade de jogo, não só ao nível da finalização, como também na inteligência como explora o espaço entre-linhas da equipa contrário, valeu-lhe inclusive a alcunha de «Benzema de Moreira de Cónegos». As parecenças físicas com o argelino também não terão ficado à margem desta alcunha. As suas somente 22 primaveras fazem de si um dos jogadores com mais futuro do nosso futebol.



    Subindo na tabela, descendo no mapa, chegamos à Académica de Coimbra onde habita na frente de ataque da Briosa outro dos grandes avançados do nosso campeonato. Salim Cissé tem apenas 20 anos e está apenas na sua 2ª época enquanto sénior, a primeira em Portugal. A velocidade e a capacidade de aceleração são as suas principais características, tornando-se num jogador perigossísimo no contra-ataque. Destas virtudes não estarão alheios os 5 golos já apontados no campeonato, aos que se juntam mais dois na Liga Europa, estes últimos uma prova de maturidade do atleta. A imagem diz tudo, Cissé tem uma enorme margem de progressão e por certo a sua carreira irá ser em ascensão. 



   Sobe-se mais um pouco na classificação, volta-se a descer no mapa, e encontra-se uma das revelações do campeonato! Pedro Santos, aos 24 anos, e após 3 temporadas no Leixões, afirmou-se no primeiro escalão do futebol português ao serviço do Vitória FC. O jovem formado no Casa Pia, tem sido a principal figura da equipa atrás de Meyong e poderá vir a ganhar ainda mais destaque nesta 2ª volta do campeonato, com a saída do camaronês para a Angola. Velocidade, capacidade técnica e de drible, e um remate colocadíssimo são as suas maiores qualidades, parâmetros fulcrais para um extremo de qualidade à imagem de Pedro Santos. Uma coisa é certa, o jogador sadino já começou a despertar a cobiça de clubes de campeonatos de maior projeção e poderá a qualquer momento dar o «salto», sendo que ao que tudo indica o Dusseldorf da Alemanha, já mostrou interesse em contar com o português no seu plantel.



   Para provar que não é só de fantasistas promissores que está recheado o nosso «Portugal dos Pequenitos», aparece Jaime Simões do Beira-Mar. Formado no clube aveirense como médio-defensivo, o jovem de 23 anos tem vindo gradualmente a transformar-se num defesa-central, apesar de tapado na temporada passada por Hugo e Yohan e nesta por Hugo e Sasso, fazendo por isso com que continue por vezes a alinhar na posição mais recuada do meio-campo dos auri-negros, tendo inclusive já atuado sobre a lateral direita da defesa. Jaime tem no entanto aproveitado as debilidades físicas do capitão aveirense Hugo, para ganhar espaço no eixo da defesa, e tem cumprindo exemplarmente com as suas funções. Um bom jogo áereo e um excelente sentido posicional são as principais características que abonam a seu favor, tendo ainda como extra um ótimo remate de meia distância que ao longo destas duas últimas épocas tem valido golos para a sua conta pessoal. Jaime é um exemplo para os jovens em Portugal acreditarem que é possível chegar-se a um clube de primeira divisão após se trabalhar arduamente ao longo de todo o percurso nas camadas jovens. 
   

   
   Subindo até ao atual 10º classificado da liga, o primeiro clube referido nesta crónica com objetivos de lutar por uma posição europeia, o Marítimo, podemos encontrar um dos melhores laterais-esquerdos do nosso campeonato, Rúben Ferreira. Com apenas 22 anos, Rúben já foi chamado à seleção A portuguesa, fruto das suas boas exibições ao serviço do clube madeirense. O jovem lateral é dotado de uma boa capacidade de cruzamento, de um remate fácil e ainda de uma velocidade apreciável, destacando-se a nível ofensivo, nas subidas que faz ao longo do flanco esquerdo. Apesar de ter contrato até 2016, o jovem talento maritimista está destinado a outros voos e nada faz prever que o cumpra até ao fim.


   Se o Estoril está a fazer uma época surpreendente, muito o deve em grande parte a Licá. Embora se tenha tardado a afirmar, aos 24 anos, Licá conseguiu chamar a atenção de clubes de maior valia, que o diga Salvador (presidente do Braga) que estará por estas horas a tentar alistar o estorilista ao seu plantel. Licá é um jogador de faixa que procura zonas centrais do terreno de jogo através de movimentos interiores, que já lhe valeram 3 golos até ao momento. É no entanto como apoio a Luis Leal que mais se destaca, com assistências decisivas para o melhor marcador do Estoril. Dotado de grande velocidade e de uma excelente percepção de que espaços pisar, promete não ficar durante muito mais tempo nos canarinhos e rumar a outras paragens.


   Uma das maiores revelações do campeonato, surge somente aos 29 anos de idade! Tarantini na sua 5ª época ao serviço do Rio Ave está a afirmar-se como um dos maiores talentos do futebol português. Sendo na posição 8 ou na posição 10, Tarantini faz uso da sua excelente visão de jogo e qualidade de passe para ajudar os vilacondenses a serem uma das grandes surpresas do campeonato ao encontrarem-se na 5ª posição, quase finalizada a 1ª volta da liga. Dono de um fortíssimo e colocado pontapé de meia-distância, Tarantini faz juz ao dizer popular do vinho do porto, com a sua qualidade a crescer ao longo dos anos. Um médio de enorme elegância que poderá acabar a carreira como nunca imaginou, nem nos seus sonhos mais cor-de-rosa.



   O Paços de Ferreira é até ao momento a grande surpresa do campeonato. Na 4ª posição a apenas 1 ponto do 3º classificado, Sporting de Braga, os castores bem podem agradecer a magnífica época que Josué vem realizando. Começando a época como opção secundária, o jovem internacional português tem vindo a conquistar o seu espaço no plantel do Paços, notabilizando-se no jogo em Alvalade frente ao Sporting e nos 4 golos em 2 jogos conseguidos para a Taça da Liga. Apesar de usar o número 7 na camisola, Josué é um 10 à antiga, com o «perfume» dos grandes jogadores! Tendo na visão de jogo a sua principal característica não estranha que seja um jogador habituado a oferecer golos aos seus colegas de equipa. Com apenas mais uma temporada e meia de contrato com os castores, é provável que não demore muito a seguir outro trajeto de maior projeção. Para já, poderemos vê-lo como aposta mais regular do técnico da equipa da capital do móvel.




   Inúmeros casos mais poderiam ser exibidos, como Joãozinho, Serginho (Beira-Mar), Steven Vitória (Estoril), Pablo Oliveira (Moreirense), Adriano Facchini (Gil Vicente), Filipe Augusto (Rio Ave), Isael (Nacional), entre outros... No entanto, estes exemplos são suficientemente demonstrativos da qualidade que temos por trás das «fachadas» do nosso futebol. 
   Como no «Portugal dos Pequenitos», situado em Coimbra, cabe aos amantes de futebol observar pelas pequenas janelas que por terras lusitanas há, com a curiosidade de um menino de tenra idade, para se descobrir as pérolas «ocultas» do nosso futebol.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A evolução do «Swansealona»



O «toque» do Swansea. Um estilo de jogo incomum por Terras de Sua Majestade. De Rodgers a Laudrup, sem esquecer Martinez.





   Qualquer pessoa do globo que assista atualmente a um jogo do Swansea, não ficará indiferente ao estilo de jogo dos pupilos de Michael Laudrup, estilo esse designado de «Swansealona», por semelhança com o modelo tático do FC Barcelona, o já conhecido tiki-taka. No entanto, se recuarmos um pouco no tempo, poderemos constatar que esta filosofia não surgiu do nada, mas sim fruto de um trabalho planeado e... em condições adversas.

   Após a "Era Petty", pesadelo da década de 2000, os protestos para salvar o clube do abismo financeiro, foram surgindo. Huw Jenkins, em tempos remotos um mero empresário fã do Swansea City, de imediato tornou-se presidente do clube... perdurando até aos dias de hoje! É fruto da sua visão, garantem os adeptos galeses, que hoje o clube ocupa uma posição de destaque no futebol inglês, mais concretamente na Premier League. 
   A fevereiro de 2007, remonta o início deste ciclo, com uma escolha bastante questionável por parte de Jenkins, mas que se viria a revelar crucial para o crescimento megalómano dos Swans. Huw demite Kenny Jackett, treinador dos Jacks desde 2004, após este ter levado o clube da League Two até à League One em 2005, encontrando-se a meio da tabela desta última, aquando do seu despedimento. Este despedimento revestia-se ainda mais chocante pela contratação que viria a ser efetuada para o seu posto, de um treinador ainda sem currículo. Roberto Martinez (atual treinador do Wigan Athletic) era um antigo capitão do Swansea (representando o clube de 2003 a 2006 e realizando 122 partidas), que jogava por estes tempos, no modesto Chester City, sendo que nunca tinha experienciado uma carreira enquanto técnico. Como se isso não fosse já suficiente, ironicamente, Martinez havia sido dispensado em 2006 pelo técnico que viria agora a substituir.


   Roberto Martinez desde logo convenceu a massa associativa do Swansea, conhecida como The Jacks, por em poucos meses, conseguir escalar incrivelmente na tabela classificativa, não conseguindo chegar mesmo aos playoff, apenas por ter saido derrotado na última jornada por 3-6 frente ao Blackpool, no Liberty Stadium (estádio do clube desde o Verão de 2005).
   "Dando o braço a torcer", os Jacks sabiam que o verdadeiro desafio viria nesta nova época, e estavam em sintonia com o novo coach da sua equipa que tinha transformado um jogo mais direto de Jackett, em uma nova filosofia que se mantém até aos dias de hoje, marcada por uma maior liberdade dos jogadores em campo e uma maior elegância no seu futebol, através de um futebol apoiado que valoriza a posse de bola e se carateriza pela constante procura de várias linhas de passe de modo a que o portador da bola tenha sempre muitas opções a quem endereçar a bola, fazendo com que os oponentes se desgastem mais rapidamente. Muitos ex-jogadores do clube já vieram a público referir que o aumento do treino com bola (pouco usual em equipas que jogam em campeonatos ingleses), foi a principal medida a facilitar este novo conceito de jogo do clube, trazido por Martinez.
   E desde logo, Martinez passou o Verão no mercado, à procura das melhores soluções para este "novo" Swansea. Àngel Rangel (atual lateral direito do clube), Jason Scotland (goleador em ligas inferiores na Escócia), Paul Anderson (emprestado pelo Liverpool), Guillem Bauza, Andrea Orlandi, Dorus de Vries e Ferrie Bodde (ex-Den Haag) foram contratações que se viriam a demonstrar acertadas, sendo que todas elas tiveram um custo baixo, pois se tratavam de jogadores vindos de ligas desconhecidas/inferiores ou por empréstimo. De referir ainda, a passagem do modelo tático 4-4-2 para o esquema 4-5-1, para atender a um novo estilo de maior posse de bola, como referido anteriormente. O objetivo foi assumido! Martinez queria subir de divisão e se possível conquistar o título da League One! Leon Britton, um dos jogadores mais elogiados do atual plantel pela sua incrível qualidade de passe (terminando a época 2011/2012 com um acerto superior a 90%), é obra de Roberto, que o adaptou de média ala para médio centro, nesta mesma época, sendo mais uma vez questionado por querer transformar um jogador com as fragilidades físicas de Britton (baixa estatura e pouca massa corporal) num box-to-box, vulgarmente designado de um médio todo terreno. Britton, o novo esquema tático, os reforços, foram alguns dos motivos que levaram o Swansea a atingir o tão desejado objetivo de subir ao Championship!
   Subindo ao segundo escalão máximo do futebol inglês, o Swansea via a imprensa desacreditar naquilo que o clube poderia fazer nesta divisão, apontando as previsões para a descida de divisão e respetivo regresso à League One. Bodde, que viria a revelar-se uma das contratações da época passada pela presença que tinha no meio-campo, viria a sofrer um lesão cruel que o fez parar até ao final da época, e foi aí que Martinez lançou mais um jogador, desta feita vindo das camadas jovens do clube, que se viria a revelar um médio fantástico, de seu nome... Joe Allen, atual jogador do Liverpool FC. Allen, reconhece nos dias que correm a influência de Bodde para o seu crescimento e afirmação como jogador de reconhecimento mundial.


   Contra todas as probablidades e com todos os especialistas elogiando o estilo de jogo, o Swansea terminou num improvável e respeitável 8º lugar na sua primeira temporada de volta à segunda divisão em mais de 20 anos, ficando um posto atrás do seu rival, Cardiff City. Os sinais eram positivos e a tendência parecia ser para melhorar. Até que... de repente, Roberto Martinez abandonou o clube, justificando-o pelo enorme amor que tinha ao mesmo. Somente isto. O homem que o trouxe para Inglaterra, Dave Whelan, decidiu que queria levar este futebol atraente para o Wigan. A única coisa que deixa os adeptos do Swansea amargurados foi a maneira como Martinez levou consigo a sua equipa técnica, e os recursos do clube, deixando o clube com meros ossos, tendo que ser reconstruído do zero.


   "- Brendan, quem?" Esta foi a pergunta mais escutada pelos adeptos do Swansea aquando da contratação do atual técnico do Liverpool, Brendan Rodgers. Rodgers não tinha sequer completado uma época em nenhum dos seus anteriores clubes (Watford e Reading). Esta escolha veio um ano após a partida de Martinez para o Wigan e imediatamente após Paulo Sousa que tinha sido o escolhido para suceder Roberto no Swansea. A sua passagem foi bastante agradável, mas marcada por ser ultra-defensiva.
   Depois de um ano de mau estar no balneário sobre o regime de Sousa, tanto que a lenda Leon Britton deixou o clube, transferindo-se para o Sheffield United, para escapar do técnico português, Rodgers incutiu um ar de alívio para o campo e os jogadores passaram a divertir-se novamente. Apesar do futebol de passe de Martinez, Rodgers elevou-o a outro nível e fez da posse de bola o objetivo primordial da equipa. Os adeptos do Swansea tornaram-se amantes de todos os dados estatísticos. A percentagem de posse de bola e a percentagem de sucesso no passe, chegaram a um nível nunca antes visto no Championship, e além de ser ótimo de se assistir, o Swansea chegou facilmente aos playoff, fazendo do Liberty Stadium uma verdadeira fortaleza. Com a saída de Sousa, Rodgers voltou a resgatar Britton dos Blades em Janeiro, formando a parceria "Xavi-Iniesta", revestida em Allen e Britton, uma parceria que se tornou o ponto de apoio do jogo do Swansea. Foi na pele de Brendan Rodgers que a designação do "Estilo Swansea" foi alterada para "Swansealona", lembrando o tiki-taka do FC Barcelona, implementado por Pep Guardiola. Embora o Swansea não lutasse para vencer campeonatos, nem títulos europeus, este estilo de jogo foi fundamental para vencer a final, numa vitória emocionante sobre o Reading por 4-2. Swansea e o seu futebol espetáculo de posse de bola, eram pela primeira vez na sua história uma equipa de Premier League! Rodgers foi aclamado herói pelos The Jacks!


   Chegado à Premier League em 2011-2012, o Swansea era apontado pelos analistas como o mais forte candidato à última posição no lote das 20 equipas, levando mesmo alguns a afirmar que poderia vir a bater o record de menor número de pontos numa época nesta competição. Escusado será dizer, que mais uma vez os Swans surpreenderam tudo e todos!
   O famoso: "Eles jogam bom futebol, mas...", foi utilizado em cada frase relativa ao Swansea, e após um mau começo de temporada, muitos deles voltaram a escrever que o clube não era suficientemente capaz para permanecer no escalão máximo do futebol inglês. Até ao ano novo, o Swansea conseguiu colocar-se confortavelmente no campeonato, levando os analistas a não acreditarem no bom futebol que os Swans voltaram a praticar. Após a assinatura de Sigurdsson, por empréstimo, o Swansea conseguiu finalmente estabilizar-se na classificação, que o diga Manchester City, Arsenal e Chelsea, clubes travados pelos Jacks.


   Finalizada a época, o Swansea acabou numa respeitável 11ª posição, e da forma mais elegante possível! Referir que este não é um clube com um milionário russo, ou um sheik árabe, mas tem sim um homem local e um fã do clube como presidente. Sendo por isso, um clube modesto, está à "mercê" dos "tubarões" que mais uma vez vieram alimentar-se do clube, desta feita, levando Brendan Rodgers, com destino ao Liverpool FC. Mais uma vez, os adeptos sentiram um rude golpe, mas de imediato se lembraram da saída de Martinez e de como Huw Jenkins conseguiu remendar a situação. Era nele que tinham que confiar!

   
   Quem iria Huw escolher neste momento para continuar a filosofia do clube? Um requisito que estaria certamente em lista de verificação gerencial de Jenkins, seria que o novo coach tivesse uma reputação de jogar futebol apoiado, de posse, de modo a não alterar significativamente o futebol positivo do clube. Gus Poyet, Ian Holloway, Dennis Bergkamp e Michael Laudrup, foram os nomes em cima da mesa. Este último, viria a ser o escolhido!
   


   Laudrup foi o mais perfeito dos jogadores, um dos maiores, mas o seu historial de gestão estava longe de ser perfeito ao chegar em Swansea. Feitos decentes no Brondby e no Getafe alinhados ao lado de prestações miseráveis ​​no Spartak Moscovo e no Mallorca no seu currículo. Em defesa de Laudrup, o seu tempo em Mallorca foi dificultado por uma situação paralisante financeira. Apesar de uma carreira às avessas, Laudrup chegou ao Swansea com uma reputação de bom futebol por os clubes onde passou. Trouxe consigo ex-jogadores dos seus planteis, habituados a jogar futebol de toque curto e rápido por ele desejado. O técnico dinamarquês assumiu que conhecia muito pouco sobre o seu novo clube, mas que depois de assistir a DVDs da campanha solitária do clube na Premier League, ficou muito impressionado. O resgate de Joe Allen pelo Liverpool a pedido de Rodgers, foi indesejado por Laudrup que viu assim o seu plantel enfraquecido. Para o melhorar, trouxe consigo Chico Flores e De Guzmán, dois jogadores com quem trabalhou no Mallorca e ainda o médio-ofensivo ex-Rayo, Miguel Perez Cuesta, mais conhecido por Michu, por uma quantia de apenas cerca de 2 milhões de euros, tendo em conta que foi um dos melhores marcadores da liga espanhola na temporada anterior, e o médio com mais golos, registando 15 tentos.
   E mais uma vez, o Swansea voltou a ser apontado pelos analistas para uma das últimas 3 posições da liga e respetiva despromoção... Com a primeira volta já jogada e mais 3 jogos da segunda volta, o Swansea ocupa de momento a 9ª posição com 30 pontos, está bem encaminhado para chegar à Final da Taça da Liga Inglesa (após bater o Chelsea na 1ª mão em Stamford Bridge por 0-2) e mantém-se ainda na Taça de Inglaterra (após empatar 2-2 em casa frente ao Arsenal). 
   O futebol de passe continua ligado ao Swansea, apesar do estilo de jogo ter tomado formas ligeiramente diferentes de "tiki taka" ao longo dos últimos 5 anos. Há ainda um longo caminho a percorrer e muito mais duros desafios pela frente, mas os primeiros sinais indicam que a filosofia Laudrup pode ser mais devastador ainda, combinando retenção de bola, com um futebol ofensivo e cruel, materializado pela adaptação surpresa de médio-ofensivo a avançado centro de Michu!



   Michu leva já 16 golos em 24 jogos ao serviço do Swansea! Uma marca incrível se verificarmos que 13 deles foram apontados em apenas 20 jogos na Premier League, na sua época de estreia e a jogar numa posição que lhe era desconhecida. Este momento de forma que vem perdurando no tempo, valeu-lhe inclusive a convocatória à seleção espanhola, onde irá realizar a sua estreia pela La Roja, frente ao Uruguai, em jogo a realizar no Qatar a 6 de fevereiro.


   Em ano de centenário, o Swansea prepara-se por isso para voltar a ultrapassar-se, podendo vir a alcançar uma classificação na liga nunca antes conseguida e inclusive fazer ainda mais surpresas nas taças. O «Swansealona» promete continuar a apaixonar os adeptos de futebol por todo o mundo e ser cada vez mais eficaz!